Algumas rendas fixas tiveram perdas em março – saiba mais

Você também é daquelas pessoas que sempre acharam que a renda fixa, apesar de ter pouca rentabilidade, era segura e não representava riscos? Saiba que algumas dessas rendas fixas tiveram perdas no último mês. Continue lendo e saiba mais sobre isso.

O motivo você já deve imaginar: a nova crise de vírus, chamada de Covid-19. De qualquer modo, a gente não vai ficar falando sobre essa pandemia, mas sim como e por que as rendas fixas também podem representar algumas perdas de rentabilidade.

Aliás, não se assuste. Se você é alguém que só tem ativos em renda fixa, considere que isso não é de todo mal. A única coisa que você precisa saber é que algumas crises podem sim afetar os seus investimentos. Vamos lá!

Ah, só para finalizar essa introdução, saiba que a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) informou que dos 16 fundos de renda fixa, 9 deles estão com rentabilidade negativa em março – isso até o dia 16 do mês.

Entre as maiores perdas tivemos os fundos de duração alta soberano (- 3,44%), indexados (- 2,43%), duração alta grau de investimento (- 1,15%) e duração livre de crédito livre (- 1,02%). Por outro lado, a dívida externa subiu 5,07%.

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Os fundos de renda fixa prefixados

Esse é um dos que mais tiveram perdas. Então, vamos considerar que eles são explicados pelo fato de terem a ver com os títulos que tem variação conforme a futura da alta ou da queda de juros. Os melhores exemplos são: Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+.

Assim sendo, a crise fez com que diminui a previsibilidade do PIB, da inflação e dos juros. Isso sem contar que os gestores de tais fundos fizeram ajustes na chamada marcação a mercado.

“Essa marcação impacta diretamente e negativamente no valor da cota do fundo. Afinal, se você precisar resgatar o valor aplicado em um determinado momento, o gestor tem que vender um ativo no preço que o mercado estiver pagando”, diz o especialista Francis Wagner.

Os fundos de renda fixa DI

As rendas fixas tiveram perdas nesse último mês e uma delas tem a ver com os fundos DI. Logo, eles são referenciados e aplicam quase tudo em títulos públicos federais, no Tesouro Direto – e como o nome sugere, eles seguem o índice CDI, isto é, a Selic.

“O rendimento desses fundos está ligado à taxa básica de juros da economia. Assim, tem o rendimento afetado pela corte da Selic”.

Isso tudo explica porque se o investidor analisar o seu lucro do Tesouro Direto ou de títulos públicos vai acabar vendo que eles podem estar negativos. No entanto, os especialistas dizem que essa perda não acontece no longo prazo – leia até o final e entenda isso.

Os fundos de crédito privado

Para explicar as quedas dos fundos de crédito privado devemos considerar que eles não estão ligados ao Tesouro, que é do governo. Aqui, a gente fala muito em ativos de empresas mesmo, como debêntures, Letras de Crédito, etc.

Essas carteiras também sofrem a marcação a mercado. Para o especialista, nesses casos há um duplo impacto, sendo: a volatilidade no preço dos papéis do governo e a variação dos próprios títulos da empresa.

“O mercado primário está muito tímido e quer um denominador comum para as taxas de emissão. Assim, investidores têm exigido mais retorno do que nos últimos anos. Já no secundário, há um volume menor sendo negociado”, avalia Ulisses Nehmi, diz o CEO.

As dicas para evitar as grandes perdas

Após falar desses fundos de renda fixa, que tiveram algumas perdas bem significativas, a gente deve considerar também as dicas para atenuar esses números. Afinal, as rendas fixas tiveram perdas, mas isso não significa que deve criar pânico.

Os especialistas consultados dizem que todo investido deve sim manter o dinheiro aplicado nesses fundos – mesmo com a variação negativa. Logo, por ser uma renda fixa, ela não vai apresentar perda no longo prazo, se você manter até o vencimento.

Então, é bem fácil entender: se você olhar os seus fundos pode ser que estejam negativos agora. Mas, a dica é manter até o vencimento e, com isso, você não terá a perca da rentabilidade. Beleza?

O que esses gestores avaliam é que com o tempo, o rendimento vai compensar a perda de março. “O fundo vai chegar ao mesmo ponto que foi combinado no começo. O que muda é que se andou mais devagar, ele acelera depois”, diz Sandra Blanco.

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Sobre as empresas

Mais uma dica é considerar o estudo das empresas também. “Não creio que exista uma variação de preços muito forte nos fundos privados porque as empresas sempre fazem muitos ajustes”, diz Bruno Eiras.

Para ele, mesmo que os dados negativos durem algum tempo, eles vão provocar as vendas das companhias. Assim sendo, elas terão menos dinheiro em caixa. Porém, devem fazer esforços para se ajustarem ao longo desse tempo.

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Sem contar que os gestores podem trocar os papéis por empresas menos voláteis. O mesmo pensa Pierre Jadoul, que diz que a maioria das debêntures que estão em fundos pertencem às empresas com boas notas de crédito e baixo risco de calote.

Agora, se a gente estiver falando apenas de ações de empresas, a história muda porque aí não dá para o gestor ficar trocando de ativos, não é mesmo? De qualquer modo, estamos falando da renda fixa e do investidor que gosta de ativos mais seguros.

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